sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

REGINALDO ROSSI DEIXOU EM PEDAÇOS MILHARES DE CORAÇÕES

"QUANDO O CHIFRE DÓI, O DIPLOMA CAI DA PAREDE."
"NÃO HÁ QUEM NÃO BREGUE DEPOIS DE TRÊS DOSES."
"O MUNDO INTEIRO É ROMÂNTICO MAS, AQUI QUEM FAZ ROMANTISMO, É BREGA."
______Reginaldo Rossi

E ele se vai aos 69 anos, após lutar contra um câncer que calou a sua voz sua voz  Sempre nos lembraremos dele como o "Rei do Brega" que não podia deixar de cantar "Garçom", seu maior sucesso, além de muitas outras canções que falam de amor e traição. Um compositor de linguagem bem popular, ele é autor de sucessos como "A Raposa e as Uvas", "Leviana" e "Recife Minha Cidade". Dizia que foi o primeiro na cidade a usar calça sem pregas. Passava na rua e as pessoas gritavam 'Wanderléia! Olha a Wanderléia!' Mas, depois todos o seguiam, usando o mesmo modelo de calça.
Apesar do jeito extrovertido nas entrevistas,  Reginaldo Rossi se dizia avesso à fama. "Eu sou muito tímido. Essa coisa que eu faço, que requebro no palco, canto 'Garçom', o corno e tudo mais, é para enganar minha timidez, afirmava.
Nascido em Recife, em 1944, Reginaldo dos Santos Rossi começou a carreira sob a influência dos Beatles. Foi crooner em boates, mas foi no brega que se consagrou. Orgulhava-se ao dizer que foi o primeiro cantor de rock do Nordeste, quando comandava o grupo The Silver Jets. Foi nos tempos do programa de TV Jovem Guarda que ele apareceu, na década de 1960, imitando Roberto Carlos.
Antes, estudou engenharia civil e chegou a dar aulas de matemática. Abandonou o magistério e a música ganhou Reginaldo Rossi.
Dono de uma cabeleira fora dos padrões de beleza, de óculos escuros, camisa sempre aberta no peito e uma voz inconfundível, Reginaldo dominou o Norte e Nordeste com  a canção "Garçom", lançada em 1986, chegou ao restante do país que o consolidou como artista nacional.
Deixou mais de 300 composições gravadas e fazia uma média de 25 shows por mês, em todo o Brasil, lotados por fãs de todas as faixas etárias. Entra para a história da MPB como uma das vozes mais românticas do país. Em mais de 50 anos de carreira, cantou os desencontros do sentimento humano, especialmente desilusões, fetiches, dores e desamores, comuns aos relacionamentos. Uniu pobres e ricos nas emoções e na mesa do bar.
Sempre alheio às críticas, mandou avisar pelos médicos, já no leito do hospital, que "cantava para o povão".
Contemporâneo de uma geração tachada de brega por cantar canções idolatradas pelo povo, ao lado de Odair José, Amado Batista, Wando, Agnaldo Timóteo, Fernando Mendes, entre outros, Rossi abriu espaço para um gênero musical marginalizado no Brasil.
Usou os microfones em shows e nas TVs para desferir golpes contra o machismo, exigiu igualdade amorosa para as mulheres, criticou a hipocrisia homofóbica, deu leveza ao chifre.
Em sua página no Facebook, a frase: "Não sei o que vou cantar e o show vai rolando naturalmente. Eu descontraio o ambiente. Não entro para cantar com maquiagem nem com roupas estrambólicas. Sou eu mesmo o tempo todo."
Fumante inveterado de mais de dois maços diários desde a adolescência, consumidor de uísque misturado com Coca-Cola e jogador de pôquer, Reginaldo Rossi deixou mulher e filhos, além de deixar órfãos uma legião de fãs acostumados a sorrir e chorar ao som de letras capazes de desvendar a alma humana.
 

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