Bruno Quintella, filho do jornalista Tim Lopes, juntamente com Guilherme Azevedo, repórter cinematográfico (trabalhou com Tim), resolveram fazer um documentário intitulado "Sonho de Liberdade". O documentário é uma homenagem a Tim Lopes, repórter da Rede Globo, assassinado por traficantes em 2002 e foi exibido ontem, domingo (29/9), no Festival de Cinema do Rio.
Com 89 minutos de duração, o filme conta as histórias de trabalho e de vida de Tim, um jornalista preocupado em denunciar a realidade das favelas cariocas, com moradores subjugados pelo poder dos traficantes.
No dia 2 de junho de 2002, o jornalista fazia uma reportagem sobre tráfico de drogas e abuso de menores num baile funk da Vila Cruzeiro, quando foi sequestrado, torturado e assassinado por traficantes do Complexo do Alemão.
Segundo o diretor do filme, Osnei de Lima, "o objetivo é mostrar a importância do trabalho que Tim Lopes desenvolvia: o jornalismo investigativo. Tim não queria somente mostrar através de suas reportagens o que havia por trás dos crimes e dos criminosos, mas um trabalho essencialmente social."
O documentário mostra a trajetória dos últimos momentos de vida do jornalista, cujo trabalho o fez conhecido em todo o Brasil e reconhecido internacionalmente.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
JORNALISTA É PRESA NOS EUA AO TENTAR ENTREVISTAR JOAQUIM BARBOSA
A correspondente do jornal O Estado de São Paulo, em Washington, Claudia Trevisan, foi detida na Universidade de Yale, uma das mais respeitadas dos Estados Unidos, ao aguardar a saída do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, de uma conferência local.
A jornalista foi algemada e por quase cinco horas mantida incomunicável dentro de um carro policial e em uma cela do Departamento de Policia da universidade.
Sua liberação ocorreu apenas depois de sua autuação por "transgressão criminosa".
O caso foi acompanhado pelo Itamaraty, em Brasília, especialmente pela embaixada brasileira em Washington e pelo consulado em Hartford, Connecticut, que colocou à disposição da jornalista seu apoio jurídico.
Claudia Trevisan é correspondente do Estadão em Washington desde o final de agosto. Ela havia sido destacada para cobrir a visita de Barbosa a universidade de Yale, onde o ministro participaria do Seminário Constitucionalismo Global 2013.
O evento era fechado à imprensa e, por isso, a jornalista o esperou do lado de fora do auditório. Claudia foi detida após pedir informação a um policial.
Segundo o jornalista Luis Nassif em seu blog, "pelo relato de Claudia, tudo leva a crer que a maior suspeita sobre o causador do episódio recai sobre o próprio ministro Joaquim Barbosa."
A jornalista foi algemada e por quase cinco horas mantida incomunicável dentro de um carro policial e em uma cela do Departamento de Policia da universidade.
Sua liberação ocorreu apenas depois de sua autuação por "transgressão criminosa".
O caso foi acompanhado pelo Itamaraty, em Brasília, especialmente pela embaixada brasileira em Washington e pelo consulado em Hartford, Connecticut, que colocou à disposição da jornalista seu apoio jurídico.
Claudia Trevisan é correspondente do Estadão em Washington desde o final de agosto. Ela havia sido destacada para cobrir a visita de Barbosa a universidade de Yale, onde o ministro participaria do Seminário Constitucionalismo Global 2013.
O evento era fechado à imprensa e, por isso, a jornalista o esperou do lado de fora do auditório. Claudia foi detida após pedir informação a um policial.
Segundo o jornalista Luis Nassif em seu blog, "pelo relato de Claudia, tudo leva a crer que a maior suspeita sobre o causador do episódio recai sobre o próprio ministro Joaquim Barbosa."
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
NA ONDA DA ESPIONAGEM DOS EUA, DILMA QUER MONITORAR 100 MILHÕES DE INTERNAUTAS
Bem antes das denúncias de espionagem feitas pelo ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional dos EUA, Edward Joseph Snowden, atualmente asilado na Russia, a presidente da República, Dilma Rousseff já pensava em dar uma trava na Rede e criar o Marco Regulatório da Internet, com empresas e usuários sob controle, ou seja, sendo censurados.
Parceiros do Brasil no grupo Ibas, Índia e África do Sul apoiam o Brasil para sua proposta de uma "nova governança global da internet", destinada a garantir a segurança de dados de todos os cidadãos. Segurança esta que os governantes terão acesso total a tudo.
SEGURANÇA OU CONTROLE?
Dilma usou a espionagem americana na última terça-feira (24/9), na Abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), dizendo que o Brasil não concorda "com esse tipo de controle", mas quer propor controle da rede, mas sem a vigilância dos EUA.
Em conversa com jornalistas em Nova York, ela ressaltou que um dos pontos mais importantes do novo marco civil da internet será o estabelecimento da regra de que dados relativos ao Brasil deverão permanecer armazenados em território nacional.
Pegando o bonde do escândalo da espionagem, o Senado criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a existência de um sistema de espionagem, estruturado pelo governo americano, com o objetivo de monitorar e-mails, ligações telefônicas e outros tipos de informações veiculadas por meio digital. E Dilma já entrou com pedido de urgência constitucional para a tramitação do Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. A medida presidencial obriga a votação do PL na Câmara em até 45 dias.
O Marco Civil visa controlar os dados de mais de 100 milhões de usuários brasileiros.
Parceiros do Brasil no grupo Ibas, Índia e África do Sul apoiam o Brasil para sua proposta de uma "nova governança global da internet", destinada a garantir a segurança de dados de todos os cidadãos. Segurança esta que os governantes terão acesso total a tudo.
SEGURANÇA OU CONTROLE?
Dilma usou a espionagem americana na última terça-feira (24/9), na Abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), dizendo que o Brasil não concorda "com esse tipo de controle", mas quer propor controle da rede, mas sem a vigilância dos EUA.
Em conversa com jornalistas em Nova York, ela ressaltou que um dos pontos mais importantes do novo marco civil da internet será o estabelecimento da regra de que dados relativos ao Brasil deverão permanecer armazenados em território nacional.
Pegando o bonde do escândalo da espionagem, o Senado criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a existência de um sistema de espionagem, estruturado pelo governo americano, com o objetivo de monitorar e-mails, ligações telefônicas e outros tipos de informações veiculadas por meio digital. E Dilma já entrou com pedido de urgência constitucional para a tramitação do Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. A medida presidencial obriga a votação do PL na Câmara em até 45 dias.
O Marco Civil visa controlar os dados de mais de 100 milhões de usuários brasileiros.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
"CHANCELER DE FERRO" CONTINUA NO COMANDO DA ALEMANHA
A chanceler alemã, Angela Merkel, venceu ontem, domingo (22), as eleições legislativas, sem maioria absoluta, na Alemanha, mas que lhe assegurou o terceiro mandato à frente da maior economia da Europa.
Merkel e seu partido conservador CDU/CSU receberam 41,5% _ um avanço de quase 8 pontos em relação às eleições de 2009 e o resultado mais expressivo dos conservadores desde a unificação da Alemanha, em 1990 _ mas a ampla vitória não foi suficiente para garantir 304 das 606 cadeiras do Parlamento. Diante disso, a primeira-ministro fará coalizões, pois não conseguirá governar o seu país sozinha.
Nascida e formada na ex-Alemanha Oriental com doutorado em Física, a chanceler é a terceira pessoa a conquistar um terceiro mandato na história da Alemanha, depois de Adenauer e Helmut Kohl, o pai da unificação alemã.
Amante da ópera, do vinho francês e das caminhadas nas montanhas italianas, Merkel é filha de
um pastor protestante luterano, tem 55 anos, é casada pela segunda vez e não tem filhos.
Angela Dorotheia Merkel, desde 2005 governa a Alemanha e é líder do partido União Democrata Cristão desde 2000. Os amigos a chamam de "Angie" ou "multi der nation", ou seja, é anjo e mãe, respectivamente.
Por outro lado, a líder conservadora é chamada de "chanceler de ferro" pela defesa ferrada das políticas de austeridade que implantou na Zona do Euro.
Guiou o país na crise financeira sem que este tenha feito sentir com a virulência que atingiu outros países europeus, principalmente Grécia, Portugal e Espanha. Críticos desses países atribuem a ela os cortes orçamentários, que estão derrubando a economia de seus países e elevando o índice de desemprego a níveis recordes.
Se ela cumprir o mandato pelo menos até 2017, se tornará a líder européia mais longeva no poder, superando Margareth Tatcher, que foi primeira-ministra da Grã Bretanha por 11 anos. Se depender dela, certamente chegará lá, pois se diz preparada para dirigir mais um vez a Alemanha, sem se importar com a sua imagem que poderá sofrer desgaste do poder, além dos efeitos da crise econômica mundial.
Angela Merkel foi considerada a mulher mais poderosa do mundo pela Revista Forbes em 7 ocasiões.
Sobre a crise européia diz que está determinada "a ver a Europa emergir mais forte da crise, dentro e fora do país e que a Alemanha só pode ser forte com uma Europa forte."
Merkel e seu partido conservador CDU/CSU receberam 41,5% _ um avanço de quase 8 pontos em relação às eleições de 2009 e o resultado mais expressivo dos conservadores desde a unificação da Alemanha, em 1990 _ mas a ampla vitória não foi suficiente para garantir 304 das 606 cadeiras do Parlamento. Diante disso, a primeira-ministro fará coalizões, pois não conseguirá governar o seu país sozinha.
Nascida e formada na ex-Alemanha Oriental com doutorado em Física, a chanceler é a terceira pessoa a conquistar um terceiro mandato na história da Alemanha, depois de Adenauer e Helmut Kohl, o pai da unificação alemã.
Amante da ópera, do vinho francês e das caminhadas nas montanhas italianas, Merkel é filha de
um pastor protestante luterano, tem 55 anos, é casada pela segunda vez e não tem filhos.
Angela Dorotheia Merkel, desde 2005 governa a Alemanha e é líder do partido União Democrata Cristão desde 2000. Os amigos a chamam de "Angie" ou "multi der nation", ou seja, é anjo e mãe, respectivamente.
Por outro lado, a líder conservadora é chamada de "chanceler de ferro" pela defesa ferrada das políticas de austeridade que implantou na Zona do Euro.
Guiou o país na crise financeira sem que este tenha feito sentir com a virulência que atingiu outros países europeus, principalmente Grécia, Portugal e Espanha. Críticos desses países atribuem a ela os cortes orçamentários, que estão derrubando a economia de seus países e elevando o índice de desemprego a níveis recordes.
Se ela cumprir o mandato pelo menos até 2017, se tornará a líder européia mais longeva no poder, superando Margareth Tatcher, que foi primeira-ministra da Grã Bretanha por 11 anos. Se depender dela, certamente chegará lá, pois se diz preparada para dirigir mais um vez a Alemanha, sem se importar com a sua imagem que poderá sofrer desgaste do poder, além dos efeitos da crise econômica mundial.
Angela Merkel foi considerada a mulher mais poderosa do mundo pela Revista Forbes em 7 ocasiões.
Sobre a crise européia diz que está determinada "a ver a Europa emergir mais forte da crise, dentro e fora do país e que a Alemanha só pode ser forte com uma Europa forte."
sábado, 21 de setembro de 2013
POR QUE SERÁ QUE QUEREM FECHAR AS APAEs?
Neste país não se pensa em melhorar o que está pronto e dando certo, pelo contrário, parece que isso incomoda, principalmente quando não dá lucro e necessita de subvenção do governo federal. Isso não interessa e a solução que os nossos políticos encontram é dar fim ao que realmente funciona. Refiro-me as APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), entidade filantrópica, que está prestes a fechar suas portas por força de um projeto enviado ao Senado pela presidente Dilma Rousseff.
O projeto tinha em seu texto original a palavra "preferencialmente"; mais tarde foi modificada para "obrigatoriamente" (obrigatoriamente assegurado o atendimento da demanda diretamente na rede pública). A inclusão compulsória na rede pública pode ser danosa aos alunos que precisam de educação e acompanhamento especiais.
A bomba explodiu nas redes sociais. Caso seja aprovado, acarretará não só nos fechamentos das APAEs, em todo o Brasil, como também de organizações comunitárias, confessionais e filantrópicas como é o caso das APAEs.
O amparo aos excepcionais é lei, está na Constituição, sob o nº 7.853, de 27 de outubro de 1989.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais tem como objetivo principal promover a atenção integral à pessoa com deficiência, prioritariamente aquela com deficiência intelectual e múltipla.
O Movimento Apeano promove o Teste do Pezinho na rede pública de saúde, a prática de esportes e a inserção das linguagens artísticas como instrumentos psicológicos na formação das pessoas com deficiência, assim como a estimulação precoce como fundamental ao seu desenvolvimento.
Tudo nas APAE é de graça. Ela oferece aula individual com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, atividades esportivas e, há casos em que ajuda a entrar no mercado de trabalho
O projeto tinha em seu texto original a palavra "preferencialmente"; mais tarde foi modificada para "obrigatoriamente" (obrigatoriamente assegurado o atendimento da demanda diretamente na rede pública). A inclusão compulsória na rede pública pode ser danosa aos alunos que precisam de educação e acompanhamento especiais.
A bomba explodiu nas redes sociais. Caso seja aprovado, acarretará não só nos fechamentos das APAEs, em todo o Brasil, como também de organizações comunitárias, confessionais e filantrópicas como é o caso das APAEs.
O amparo aos excepcionais é lei, está na Constituição, sob o nº 7.853, de 27 de outubro de 1989.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais tem como objetivo principal promover a atenção integral à pessoa com deficiência, prioritariamente aquela com deficiência intelectual e múltipla.
O Movimento Apeano promove o Teste do Pezinho na rede pública de saúde, a prática de esportes e a inserção das linguagens artísticas como instrumentos psicológicos na formação das pessoas com deficiência, assim como a estimulação precoce como fundamental ao seu desenvolvimento.
Tudo nas APAE é de graça. Ela oferece aula individual com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, atividades esportivas e, há casos em que ajuda a entrar no mercado de trabalho
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O TRISTE FIM DA MISSIONÁRIA AMERICANA DOROTY
Doroty Mae Stang, conhecida como irmã Doroty, missionária americana, vivia no Brasil há 20 anos, no interior do Paraná atuando no trabalho como camponesa e na luta contra guerrilheiros de terra. Até que no dia 12 de fevereiro de 2005, foi assassinada com três tiros.
Na época, o caso teve enorme repercussão, mas só em maio de 2007, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como "Bida", foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, sob acusação de ser o mandante do crime.
Os executantes Rayfran das Neves e Clodoaldo Batista foram condenados a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente. Amair Cunha foi condenado a 27 anos de prisão como intermediário do assassinato, mas teve a pena reduzida por colaborar com o processo.
Rayfran inocentou o fazendeiro de ser o mandante pelo assassinato de Doroty, assumindo sozinho a autoria do crime e acabou absolvendo Vitalmiro.
Como o mandante Vitalmiro e um dos executores do crime, Rayfran, tiveram penas acima de 20 anos, foram submetidos a novo julgamento como prevê a legislação brasileira.
No novo julgamento, que ocorreu na última quinta-feira, 19/9. o fazendeiro Valtemiro foi condenado a 30 anos de prisão, inicialmente em regime fechado pela morte da missionária.
Irmã Doroty foi assassinada porque defendia a implantação de assentamentos para trabalhadores rurais em terras públicas que eram disputadas por fazendeiros e madeireiros de Anapu, sudoeste paranaense.
Na época, o caso teve enorme repercussão, mas só em maio de 2007, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como "Bida", foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, sob acusação de ser o mandante do crime.
Os executantes Rayfran das Neves e Clodoaldo Batista foram condenados a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente. Amair Cunha foi condenado a 27 anos de prisão como intermediário do assassinato, mas teve a pena reduzida por colaborar com o processo.
Rayfran inocentou o fazendeiro de ser o mandante pelo assassinato de Doroty, assumindo sozinho a autoria do crime e acabou absolvendo Vitalmiro.
Como o mandante Vitalmiro e um dos executores do crime, Rayfran, tiveram penas acima de 20 anos, foram submetidos a novo julgamento como prevê a legislação brasileira.
No novo julgamento, que ocorreu na última quinta-feira, 19/9. o fazendeiro Valtemiro foi condenado a 30 anos de prisão, inicialmente em regime fechado pela morte da missionária.
Irmã Doroty foi assassinada porque defendia a implantação de assentamentos para trabalhadores rurais em terras públicas que eram disputadas por fazendeiros e madeireiros de Anapu, sudoeste paranaense.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
"QUE PAÍS É ESSE?" TEM TUDO A VER
Em 1978, em plena ditadura militar, o compositor e integrante da banda Aborto Elétrico, Renato Russo, lança a música "Que País é Esse?" A banda se desfez e a Legião Urbana (formada em 1983) gravou e passou a apresentá-la em seus shows por todo o Brasil.
"Que País é Esse?" é uma das primeiras canções da linha "politizada" do rock brasileiro.
Depois do julgamento dos embargos infringentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apresentados pelas defesas dos mensaleiros condenados, no ultimo dia 18/9, o Brasil está em estado de choque com o resultado que os beneficiou com um novo julgamento.
Já se passaram mais de trinta anos e "Que País é Esse?" continua mais atual do que nunca.
QUE PAÍS É ESSE?
Legião Urbana
Nas favelas, no Senado...
Sujeira pra todo lado...
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá-iá
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
No Norte, eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis
Documentos fiéis ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro Mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando perdermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
"Que País é Esse?" é uma das primeiras canções da linha "politizada" do rock brasileiro.
Depois do julgamento dos embargos infringentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apresentados pelas defesas dos mensaleiros condenados, no ultimo dia 18/9, o Brasil está em estado de choque com o resultado que os beneficiou com um novo julgamento.
Já se passaram mais de trinta anos e "Que País é Esse?" continua mais atual do que nunca.
QUE PAÍS É ESSE?
Legião Urbana
Nas favelas, no Senado...
Sujeira pra todo lado...
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá-iá
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
No Norte, eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis
Documentos fiéis ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro Mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando perdermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
terça-feira, 17 de setembro de 2013
E O RÁDIO BRASILEIRO ESTÁ COMPLETANDO 90 ANOS!
Quando surgiu a televisão, muitos pensaram que o rádio sumiria do mapa. O mesmo pensamento ocorreu com o aparecimento da Internet, quando achávamos que iriam desaparecer, além da televisão, o jornalismo impresso (jornais e revistas).
A TV aberta passou a ter como aliada a TV fechada (a cabo), cujos assinantes pagam para assistir a programação que querem; jornais e revistas também tem um grande aliado, o jornalismo on-line. Apesar de toda a tecnologia, o rádio, a TV aberta, os jornais e as revistas continuam fazendo parte da mídia. Estão todos lá na grande Rede. Ainda bem que temos opções.
E em meio a tantas mudanças no mundo eletrônico, o rádio brasileiro está completando 90 anos. Começou em 7 de setembro de 1922, ano em que se comemorou o I Centenário da Independência do Brasil. Foi uma festa no Rio de Janeiro, na Esplanada do Castelo. Visitantes ilustres compareceram, como empresários americanos que trouxeram a tecnologia da radiodifusão para exibi-las na Feira Internacional.
Depois da primeira transmissão, Roquette Pinto, médico legista. professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro tentou sem sucesso convencer o governo brasileiro a comprar os equipamentos na Feira, mas ele não desistiu, e para o bem da comunicação conseguiu convencer a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi então, criada a primeira rádio do País, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC. Com direção do próprio Roquette Pinto, a programação era voltada para a elite, incluía ópera, recitais de poesia, concertos e palestras culturais. Como na época os anúncios pagos eram proibidos, a rádio era mantida por doações de ouvintes.
Com o decorrer dos anos, o número de rádios foi se espalhando. Nos anos 40 e 50, esse meio de comunicação virou uma espécie de Hollywood brasileira. Ser cantor ou ator de uma grande emissora carioca ou paulista era o suficiente para que o artista fizesse sucesso por todo o País, ganhando destaque na imprensa escrita e até mesmo podendo frequentar meios políticos. Normalmente, as turnês nacionais desses astros eram muito concorridas fazendo jovens sonharem com a carreira artística no rádio. Seria o correspondente ao desejo de hoje, de se tornarem artistas de televisão.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, as indústrias dos bens de consumo retomaram seu crescimento e alguns dos produtos já disponíveis nos Estados Unidos e na Europa começaram a chegar ao Brasil. Entre os anos de 1945 e 1950 ocorreu um processo de crescimento acelerado do setor radiofônico como um todo. O auge do rádio começou a partir daí. Surgiram ídolos, novelas e revistas.
Dessa época são nomes como Mário Lago, Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Paulo Gracindo, Janeth Clair e muitos outros, que eram retratados na Revista do Rádio. Surgiu também o radiojornalismo com o "Repórter Esso", o "Grande Falado Tupi" e o "Matutino Tupi", e as radionovelas, sendo a primeira "Em Busca da Felicidade".
Na primeira metade dos anos 80, o rádio AM continuava com a mesma popularidade de uma década atrás, mas o rádio FM avança, sobretudo entre os jovens.
Esse poderoso instrumento de prestação de serviços, teve muitos altos e baixos, mas sobreviveu e também teve que acompanhar a tecnologia e possui serviço on-line na Internet.
sábado, 14 de setembro de 2013
VINÍCIUS DE MORAES E O DIA DA CRIAÇÃO
O dia da criação
Bíblia: Gênese, 1, 27
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
NOVELA DO MENSALÃO PODE SE ETERNIZAR E MENSALEIROS CONTINUAREM LIVRES
A novela do mensalão está se arrastando há oito anos e ao que tudo indica não tem data para terminar. Tudo porque os mensaleiros querem reduzir suas penas a tal ponto que não precisem ir para a cadeia e que respondam em liberdade. Ano passado, 25 mensaleiros foram condenados, mas ninguém foi preso. Apenas 12 têm direito aos embargos infringentes. São eles: João Paulo Cunha, João Cláudio Genú e Breno Fiscberg (condenados por lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, José Roberto Salgado (condenados pelo crime de formação de quadrilha) e Simone Vasconcelos, condenada por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O caso do ex-ministro José Dirceu é emblemático. Ele foi condenado a dez anos e dez meses de prisão. Caso sua pena seja reduzida a dois anos ou menos, a punição já estará prescrita, deixaria de cumprir a sentença em regime fechado e iria para o semiaberto.
As nossas leis estão repletas de brechas e, obviamente, que os mensaleiros estão se prevalecendo, através de seus brilhantes advogados, que atacaram de embargos infringentes, recursos cabíveis contra acórdãos não unânimes proferidos pelos tribunais nas ações que visam a reapreciação das ações impugnadas pela parte recorrente.
Ontem o plenário do Supremo Tribunal Federal ficou dividido. Empatou. Cinco votaram contra os embargos infringentes e cinco a favor. Esse resultado pode levar a um novo julgamento de 12 réus do mensalão que obtiveram pelo menos quatro votos favoráveis, ou seja, voltar a estaca zero e, consequentemente, serem beneficiados. A sessão será retomada na próxima quarta-feira (18/9). Faltando apenas um voto, o de minerva, o STF decidirá se aceita ou não os recursos de parte dos réus. Esse voto está nas mãos do ministro mais antigo do Supremo, Celso de Melo.
Esse dia será o dia D. Ou os mensaleiros irão para a cadeia, ou vão continuar livres, leves e soltos por aí e, o pior, fazendo parte do governo como se nada tivesse acontecido, e o processo do mensalão irá se eternizar.
O caso do ex-ministro José Dirceu é emblemático. Ele foi condenado a dez anos e dez meses de prisão. Caso sua pena seja reduzida a dois anos ou menos, a punição já estará prescrita, deixaria de cumprir a sentença em regime fechado e iria para o semiaberto.
As nossas leis estão repletas de brechas e, obviamente, que os mensaleiros estão se prevalecendo, através de seus brilhantes advogados, que atacaram de embargos infringentes, recursos cabíveis contra acórdãos não unânimes proferidos pelos tribunais nas ações que visam a reapreciação das ações impugnadas pela parte recorrente.
Ontem o plenário do Supremo Tribunal Federal ficou dividido. Empatou. Cinco votaram contra os embargos infringentes e cinco a favor. Esse resultado pode levar a um novo julgamento de 12 réus do mensalão que obtiveram pelo menos quatro votos favoráveis, ou seja, voltar a estaca zero e, consequentemente, serem beneficiados. A sessão será retomada na próxima quarta-feira (18/9). Faltando apenas um voto, o de minerva, o STF decidirá se aceita ou não os recursos de parte dos réus. Esse voto está nas mãos do ministro mais antigo do Supremo, Celso de Melo.
Esse dia será o dia D. Ou os mensaleiros irão para a cadeia, ou vão continuar livres, leves e soltos por aí e, o pior, fazendo parte do governo como se nada tivesse acontecido, e o processo do mensalão irá se eternizar.
sábado, 7 de setembro de 2013
CHARLES CHAPLIN _ O ÚLTIMO DISCURSO DE "O GRANDE DITADOR"
CHARLES CHAPLIN
EM O ÚLTIMO DISCURSO DE
"O GRANDE DITADOR"
"Sinto muito, mas não quero ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não quero governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria apenas de ajudar: judeus, não judeus, negros ou brancos.
Todos nós desejamos ajudarmo-nos uns aos outros. São assim os seres humanos. Queremos viver para o bem do próximo e não para o seu infortúnio. Por que razão nos havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Há espaço para todos neste mundo. A Terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza! Porém, perdemo-nos. A cobiça envenenou a alma dos homens, fez erguerem-se no mundo as muralhas do ódio, e tem-nos feito marchar a passos largos para a miséria e para a morte. Criamos a era da velocidade, mas sentimo-nos aprisionados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado na penúria. O nosso conhecimento, transformou-nos em cépticos; a nossa inteligência, fez-nos duros e cruéis. Pensamos muito e sentimos muito pouco. Muito mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Muito mais do que de inteligência, precisamos de afeto e de ternura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.
A aviação e a rádio aproximaram-nos mais. A sua própria natureza é um apelo eloquente à bondade do homem. Um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Neste preciso momento a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo fora, milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir, eu digo: “ Não desesperem! A desgraça que se abateu sobre nós não é mais do que o fruto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores caem e o poder que arrebataram ao povo, ao povo há-de regressar. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que controlam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado e vos usam como carne para canhão. Não sois máquinas! Homens é que sois! E com o amor da humanidade nas vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do Homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens! Está em vós! Vós, o Povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de a tornar uma maravilhosa aventura. Portanto – em nome da Democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um Mundo Novo, um Mundo Bom que a todos assegure uma oportunidade de trabalho, um futuro para a juventude e a segurança à velhice.
É com estas promessas que gente perversa tem subido ao poder. Mas só para abusar da vossa credulidade. Não cumprem o que prometem. Nunca cumprirão! Os ditadores libertam-se, escravizando, porém, o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, derrubar as fronteiras nacionais, pôr fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um Mundo de razão, um mundo onde a ciência e o progresso conduzam a prosperidade de todos. Soldados, em nome da Democracia, unamo-nos!
Hannah, estás a ouvir-me? Onde estiveres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol começa a romper as nuvens que se dispersam! Estamos a sair da treva para a luz! Começamos a entrar num mundo novo – um mundo melhor, onde os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e começa, afinal, a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos Hannah! Ergue os olhos!"
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
REDE GLOBO X DITADURA: NA ÉPOCA TIROU PROVEITO E AGORA SE ARREPENDE
Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: "A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!". Agora o sistema Globo procura se retratar através do seu site "Memória". A verdade é fato, é verdadeiro o slogan dos protestos e, também de fato, uma verdade dura.
"Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro. Há alguns meses, quando o "Memória" estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar publica essa avaliação interna. É um texto com o reconhecimento desse erro, foi escrito para ser publicado quando o site estivesse pronto.
Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deixam ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página, a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje, no ar."
31 DE MARÇO DE 64
APOIO AO GOLPE DE 64
FOI UM ERRO
"(...) O Globo, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
(...) Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O Globo foi invadido por fuzileiros navais, comandados pelo almirante Cândido Aragão, do "dispositivo militar" de Jango.
(...) A situação politica da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de "base" na lei ou na "marra".
(...) Naquele contexto, o golpe, chamado de "Revolução", termo adotado pelo Globo durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter o Brasil numa democracia.
E, encerrando...
(...) À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram as decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela pode ser salva, por si mesmo."
"Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro. Há alguns meses, quando o "Memória" estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar publica essa avaliação interna. É um texto com o reconhecimento desse erro, foi escrito para ser publicado quando o site estivesse pronto.
Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deixam ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página, a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje, no ar."
31 DE MARÇO DE 64
APOIO AO GOLPE DE 64
FOI UM ERRO
"(...) O Globo, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
(...) Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O Globo foi invadido por fuzileiros navais, comandados pelo almirante Cândido Aragão, do "dispositivo militar" de Jango.
(...) A situação politica da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de "base" na lei ou na "marra".
(...) Naquele contexto, o golpe, chamado de "Revolução", termo adotado pelo Globo durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter o Brasil numa democracia.
E, encerrando...
(...) À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram as decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela pode ser salva, por si mesmo."
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
POEMA DE ÁLVARO DE CAMPOS (FERNANDO PESSOA)
Se te Queres MatarSe te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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