A TV aberta passou a ter como aliada a TV fechada (a cabo), cujos assinantes pagam para assistir a programação que querem; jornais e revistas também tem um grande aliado, o jornalismo on-line. Apesar de toda a tecnologia, o rádio, a TV aberta, os jornais e as revistas continuam fazendo parte da mídia. Estão todos lá na grande Rede. Ainda bem que temos opções.
E em meio a tantas mudanças no mundo eletrônico, o rádio brasileiro está completando 90 anos. Começou em 7 de setembro de 1922, ano em que se comemorou o I Centenário da Independência do Brasil. Foi uma festa no Rio de Janeiro, na Esplanada do Castelo. Visitantes ilustres compareceram, como empresários americanos que trouxeram a tecnologia da radiodifusão para exibi-las na Feira Internacional.
Depois da primeira transmissão, Roquette Pinto, médico legista. professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro tentou sem sucesso convencer o governo brasileiro a comprar os equipamentos na Feira, mas ele não desistiu, e para o bem da comunicação conseguiu convencer a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi então, criada a primeira rádio do País, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC. Com direção do próprio Roquette Pinto, a programação era voltada para a elite, incluía ópera, recitais de poesia, concertos e palestras culturais. Como na época os anúncios pagos eram proibidos, a rádio era mantida por doações de ouvintes.
Com o decorrer dos anos, o número de rádios foi se espalhando. Nos anos 40 e 50, esse meio de comunicação virou uma espécie de Hollywood brasileira. Ser cantor ou ator de uma grande emissora carioca ou paulista era o suficiente para que o artista fizesse sucesso por todo o País, ganhando destaque na imprensa escrita e até mesmo podendo frequentar meios políticos. Normalmente, as turnês nacionais desses astros eram muito concorridas fazendo jovens sonharem com a carreira artística no rádio. Seria o correspondente ao desejo de hoje, de se tornarem artistas de televisão.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, as indústrias dos bens de consumo retomaram seu crescimento e alguns dos produtos já disponíveis nos Estados Unidos e na Europa começaram a chegar ao Brasil. Entre os anos de 1945 e 1950 ocorreu um processo de crescimento acelerado do setor radiofônico como um todo. O auge do rádio começou a partir daí. Surgiram ídolos, novelas e revistas.
Dessa época são nomes como Mário Lago, Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Paulo Gracindo, Janeth Clair e muitos outros, que eram retratados na Revista do Rádio. Surgiu também o radiojornalismo com o "Repórter Esso", o "Grande Falado Tupi" e o "Matutino Tupi", e as radionovelas, sendo a primeira "Em Busca da Felicidade".
Na primeira metade dos anos 80, o rádio AM continuava com a mesma popularidade de uma década atrás, mas o rádio FM avança, sobretudo entre os jovens.
Esse poderoso instrumento de prestação de serviços, teve muitos altos e baixos, mas sobreviveu e também teve que acompanhar a tecnologia e possui serviço on-line na Internet.
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