"SE MINHA MORTE FORTALECESSE A LUTA ATÉ QUE VALERIA A PENA. MAS, A EXPERIÊNCIA NOS ENSINA O CONTRÁRIO. ENTÃO, EU QUERO VIVER. ATO PÚBLICO E ENTERRO NUMEROSO NÃO SALVARÃO A AMAZÔNIA. QUERO VIVER."
___________Chico Mendes
É realmente muito estranho, mas aquele que luta pelo coletivo, no final das contas, sempre se dá mal. É perseguido, é ameaçado, é assassinado. Foi assim com Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, que sofreu um duro golpe há, exatamente, 25 anos. Perdeu a vida por lutar pela preservação da Amazônia, em especial pela manutenção das atividades extrativistas. Teve o apoio de outros seringueiros, de políticos, de artistas e ativistas das causas ambientais de todo o mundo.
Reconhecido como uma liderança mundial da luta pelas causas ambientalistas, recebeu vários prêmios internacionais. Em 2012, foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos em concurso realizado pelo SBT com a BBC de Londres. Foi assassinado no interior do Acre, a mando de latifundiários, em 22 de dezembro de 1988. A morte do líder sindicalista repercutiu mundialmente. A partir daí, o Brasil passou a lidar com as questões do meio ambiente.
Atraídos pelo ouro branco, milhares de nordestinos começaram a migrar para a Floresta Amazônica, no século 19. Em meio a mais de 5 milhões de metros quadrados de floresta, começava uma história de disputas econômicas, conflitos por terras e luta pela preservação da selva. Foi nesse cenário que Chico Mendes se tornou símbolo pela manutenção da floresta e da cultura do seu povo.
Depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945, de explorados pelos donos das terras, os seringueiros passaram a ter que lutar pela permanência na floresta. Com o inicio da queda no preço da borracha, os fazendeiros passaram a vender as propriedades.
Na década de 1970, os governos militares iniciaram uma politica de ocupação da Amazônia. Com isso, passaram a estimular produtores rurais do Sul do País a ocupar os estados do Norte, inclusive o Acre. O resultado foi um novo ciclo de derrubada das matas para a exploração de madeira, plantio de soja e criação extensiva de gado, com estímulos financeiros do governo e de bancos internacionais de fomento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Foram proprietários da terra, venderam os seringais, mas não disseram aos fazendeiros do Sul que havia pessoas no seringal. Quando os fazendeiros compraram não queriam ninguém morando lá, e ameaçaram despejar mais de 50 famílias. Iniciou-se o movimento e a criação do sindicato.
Com o assassinato do seringueiro Wilson Pinheiro, na época presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia, o movimento ganhou força através de Chico Mendes que não queria o confronto, não queria o derramamento de sangue.
Em 1975, Chico assume a Secretaria-geral do Sindicato. A luta continuava no ano seguinte. De volta a Xapuri, sua cidade natal, ajuda a fundar em 1977 o sindicato dos trabalhadores rurais da cidade. Foi eleito vereador pelo PT. Começou a receber ameaças de morte, assim como outros ruralistas. Ivair Higino, dirigente sindical de Xapuri, foi morto em 1988.
Com a vida ameaçada, Chico pede proteção policial e passa a ser escoltado por policiais militares, Não adiantou. Aos 44 anos foi assassinado em sua própria casa, com um tiro de espingarda no peito. Os policiais que faziam a sua segurança fugiram.
Uma das suas principais bandeiras de luta, a consolidação dos seringueiros do Acre a seus territórios, continua sendo uma questão complicada após sua morte. A falta de regularização fundiária de muitos seringais, ainda hoje com alto nível de preservação ambiental, continua motivando vários conflitos entre fazendeiros e seringueiros.
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