Morreu esta semana (10/2), Virgínia Lane, nome artístico de Virgínia Giaccone, 93 anos, atriz, cantora e vedete brasileira, símbolo do teatro de revista da década de 1950.
Nascida no Estácio, Zona Norte do Rio de Janeiro, a vedete começou sua carreira como cantora, em 1935, na Rádio Mayrink Veiga, no programa de César Ladeira. Em 1945, estreou no elenco do Cassino da Urca, como cantora e dançarina à frente das orquestras de Carlos Machado, Tommy Dorsey e Benny Goodman. Na revista "Um Milhão de Mulheres", no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, o sucesso foi tanto que ela tornou-se a vedete mais famosa da Praça Tiradentes.
Atuou na televisão, no programa "Espetáculos Tonelux", da TV Tupi carioca, dirigida por Mário Provenzano.
Fez sucesso também no cinema, na Cinédia e na Atlântida, em filmes como "Laranja da China"(1940), "Carnaval de Fogo" (1949). Participou de várias comédias carnavalescas cantando seus maiores sucessos e contracenando com Oscarito, Grande Otelo e Zé Trindade.
Em 2005/2006 fez parte do elenco na novela "Belíssima", da Rede Globo, ao lado de outras ex-vedetes como Carmen Verônica, Íris Bruzzi, Ester Tarcitano e Dorinha Duval.
Virgínia abrilhantou durante anos os palcos do teatro de revista, gênero de teatro de gosto marcadamente popular, com alguma importância na história das artes cênicas, tanto no Brasil como em Portugal, e tinha como caracteres principais a apresentação de números musicais, apelo à sensualidade e a comédia leve com críticas sociais e políticas e seu auge foi em meados do século XX.
Gravou muitas marchinhas e sambas, dentre eles, "Sassaricando", seu maior sucesso;
Emplacou diversas revistas em parceria com o produtor Walter Pinto. Com talento e de grande beleza escultural, recebeu o título de "A Vedete do Brasil", dado pelo ex-presidente Getúlio Vargas. Foi com ele que teve um romance que durou quinze anos, segundo comentou em diversas entrevistas.
"O gaúcho era romântico, gostava de serenatas e me presenteava com orquídeas brancas. Gostei dele desinteressadamente. A barriguinha dele atrapalhava, mas tudo se resolvia na horizontal.", disse.
Virgínia Lane teve falência múltipla dos órgãos. Passou seus últimos dias morando em Volta Redonda, com sua filha Marta e seus sete cachorros. Não gostava de ser chamada de dona ou senhora. Dizia que sentia-se velha. Adorava mostrar suas famosas pernas, principalmente quando participava de programas de TV.
Seu velório foi realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Ao invés de flores, seu corpo foi coberto de plumas, levou seus cílios postiços e seu batom vermelho. Foi assim que ela queria partir deste mundo, pois dizia sempre que não queria flores no caixão, porque a flor tem "cheiro de morto", tem "cheiro horrível".
Além disso, pediu que todos cantassem em seu velório a marchinha "Sassaricando". E todos cantaram...
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