Entrevistado pelo programa "Fantástico", da Rede Globo, ontem, domingo (27), o cantor e compositor Roberto Carlos voltou atrás em suas declarações sobre biografias não autorizadas. Sua posição anterior, segundo ele, não representa relação com o acidente de trem que o fez perder parte da perna direita quando tinha seis anos de idade.
"Sou a favor do gênero, desde que sejam feitos acordos e ajustes.Temos que conversar, discutir e chegar a uma conclusão que seja boa para todo mundo. O jurista tem que estudar muito bem e estabelecer regras que protejam o biografado. Tem que fazer alguns ajustes para que essa lei não venha a prejudicar nem o biografado nem o biógrafo. Que não fira a liberdade de expressão e o direito à privacidade", disse.
Roberto, no entanto, não disse quais seriam esses ajustes, mas já adiantou que está escrevendo a sua autobiografia e que informará muito mais as pessoas do que qualquer outra fonte.
"Eu vou contar do meu acidente. Ninguém poderá contar do meu acidente melhor do que eu. Ninguém poderá contar com todos os detalhes. O que eu senti e o que eu passei, porque isso só eu sei", esclareceu.
Em 2007, o artista conseguiu impedir o lançamento da venda da biografia "Roberto Carlos em detalhes", escrita pelo jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. Para ele, "o biógrafo pesquisa uma história que não é feita pelo biografado. O escritor não cria uma história. O biógrafo só narra uma história que não é dele. Ele passa a ser o dono da história que não é a dele e isso não é certo", despistou.
O jornalista está preparando um outro livro, desta vez sobre os bastidores do processo de Roberto Carlos em detalhes".
O "Rei" disse também que aceitaria a publicação de biografias, desde que haja um acordo (não deu detalhes sobre o acordo). Ele destaca a importância de se discutir o projeto que libera a publicação de biografias não autorizadas, que tramita na Câmara dos Deputados, e disse ser a favor da medida.
Apesar da polêmica, editoras não desistem de publicar biografias no Brasil.
O projeto das biografias não autorizadas fazem parte da reforma do Código Civil. Pelas regras atuais, o Código autoriza a publicação de livros e filmes biográficos, porém mediante a autorização direta da pessoa exposta ou consentimento de parente, se o biografado tiver morto.
Segundo o projeto de lei em discussão (393/2011), as biografias não autorizadas serão válidas para personalidades públicas vivas ou mortas, independente de autorização prévia.
O assunto virou polêmica entre os artistas que estão se manifestando contra a publicação de biografias não autorizadas. Eles formaram o grupo "Procure Saber", presidido pela produtora Paula Lavigne. Entre eles, estão Roberto Carlos, Caetano Veloso e Chico Buarque de Holanda.
CENSURA PRÉVIA
Nem a Rede Globo de Televisão, que pretendia exibir em sua programação uma minissérie sobre a vida de Roberto Carlos, conseguiu a aprovação dele. Nem com o pagamento de R$ 10 milhões!
A história de vida de uma figura pública confunde-se com a história de um povo. Censurar biografias é acabar com a história de um país. Exigir prévia autorização do biografado ou de seus familiares, em caso da pessoa falecida, não deixa de ser uma censura à liberdade de expressão dos autores e historiadores que entrarão em extinção.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.manifestou-se contra a proibição de biografias não autorizadas. Segundo ele, trata-se de censura prévia.
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