domingo, 27 de outubro de 2013

AS "PÉROLAS" DO ENEM

Desde que foi criado em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) vem sendo usado para avaliar a qualidade do ensino médio no País.
Nem precisava essa avaliação, pois todos sabemos que a qualidade do ensino no Brasil é uma dos piores do mundo. E nada se faz para melhorar esse quadro. Nossos jovens têm que se virar nos trinta para chegar a uma universidade.
Durante dez anos, o modelo de prova do ENEM tinha 63 questões aplicadas em um dia de prova, Na época não servia para ingresso em cursos superiores, exceto no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir bolsa de estudo em faculdades particulares pelo ProUni.
Em 2009 foi introduzido um novo modelo de prova para o Enem, com a proposta de unificar o concurso vestibular das universidades federais brasileiras (SISU) A partir daí começaram a surgir irregularidades antes, durante ou depois da realização das provas. Nesta segunda versão, o ENEM sofreu muitas críticas em relação à correção da redação, Em função disso, foram alterados em 2012 os critérios para correção de redações. Foi diminuída a discrepância necessária entre as notas dos dois corretores para que a redação fosse corrigida por um terceiro.
Devido a fortes suspeitas de vazamento da prova, que teve cadernos furtados em uma das gráficas que a produziu, o exame que estava planejado para ser realizado em outubro de 2009 foi adiado. Com as datas remarcadas para 5 e 6 de dezembro daquele ano, do total de 4,1 milhões de inscritos, 37,7% abstiveram-se de fazer as provas no primeiro dia. Como se não bastasse, o gabarito da prova foi divulgado com erros.
Em 2010, vazaram informações sigilosas e pessoais de inscritos do ENEM na Internet. Imediatamente após a realização das provas deste ano, uma série de erros em um dos cadernos, levou a Justiça do Ceará a suspender os exames em todo o território nacional. O Ministério da Educação resolveu, então, reaplicar uma nova prova para todos os prejudicados, mas a Justiça alegou que novas provas apenas para os que usaram cadernos incorretos poderia prejudicar todos os outros inscritos no exame. Por causa de todo este imbróglio, certas instituições de ensino desistiram de usar o ENEM como parte de sua nota.
Na época, o então ministro da Educação, Fernando Haddad declarou que uma segunda prova seria aplicada aos alunos prejudicados pelos erros de impressão verificados em 0,3% das 10 milhões de provas _ erros que foram admitidos pela gráfica responsável, a RR Donnelley. Dos 33 mil cadernos com erro, 21 mil foram efetivamente distribuídos. As novas provas foram aplicadas na primeira quinzena de dezembro daquele ano.
A edição de 2011 foi marcada pela constatação de que alunos do colégio particular Christus de Fortaleza tiveram acesso antecipado a cerca de 14 questões da prova. Tal vazamento pode ter ocorrido durante um "pré-teste" do INEP realizado por alunos daquela instituição. Somente as provas de 639 alunos do colégio em questão foram canceladas, tendo sido refeitas posteriormente pelos mesmos.
Houve ainda, notícias de que o tema da redação, referente ao "mundo digital" e "redes sociais", tivesse vazado pelo repórter Lauro Neto, do jornal O Globo, ao que o Inep afirmou que abriria uma investigação para apurar o ocorrido. Descobriu-se que o vazamento ocorreu uma hora após o início da prova, ou seja, antes que os participantes pudessem deixar as salas de prova.
Na edição de 2012 do exame, foi montado um esquema de segurança para evitar possíveis fraudes e mudanças na correção, o que custou ao governo federal R$ 266 milhões, Lacres eletrônicos foram usados para o fechamento das maletas contendo as provas. Mesmo com tudo isso, em janeiro deste ano, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul suspendeu o SISU. Diversas falhas na correção das redações fizeram gerar desconfiança na forma como as avaliações foram realizadas. Além disso, um candidato escreveu uma receita de miojo na redação e recebeu 560 pontos, e gerou mais desconfiança por parte dos estudantes que alegaram terem redigido uma boa redação com uma nota igual ou superior a esta.
A edição do ENEM 2013 foi realizada nestes sábado e domingo (26 e 27) e, segundo o Ministério da Educação, foram 7.105.903 candidatos inscritos. Uma liminar garantiu aos estudantes acesso ao espelho da redação. Logo em seguida, foi derrubada a liminar, pois seria impossível logisticamente mostrar o espelho das redações a todos os candidatos. Também vazaram fotos das salas de provas que foram compartilhadas no Instagram.
Será que tem mais alguma coisa? Vamos aguardar...




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